Aqui há uns dias, estava a tomar um café na praia com um amigo de longa data (já nos conhecemos desde os 3 anos!), quando começamos a falar da nossa infância. De entre os vários assuntos abordados, surgiu inevitavelmente um denominador comum dos rapazes de tenra idade: as colecções de cromos de futebol. Mas coleccionar cromos obedecia a todo um ritual que só os que o fizeram podem compreender.
A minha primeira colecção a sério foi a do Campeonato da Europa de 1992, realizado na Suécia. Na altura tinha 7 anos e pouco sabia de futebol. E não fazia a mínima ideia quem era um tal de Thomas Hassler, o primeiro cromo que me calhou. E foi exactamente aí que começou o "descalabro". Se hoje em dia sou o que sou (peçam-me para elencar o 11 da selecção cipriota no apuramento para o Mundial e eu digo-o em 15 segundos), em muito o devo aos cromos.
Coleccionar cromos da bola era uma possibilidade extra de integração social. Passávamos os intervalos a trocar cromos, com os molhos gigantescos de repetidos atados com um elástico, e a tentar enganar os putos mais novos para acabarmos mais depressa a nossa colecção. Todo o dinheiro que tínhamos, ou seja, aquele que nos era dado para comprar o lanche ou algo do género, era gasto em cromos. Lembro-me que na altura comprava 4 carteirinhas por 120 escudos. Era o máximo que a minha mãe me deixava gastar. Claro que a ambição de todos os putos era comprar uma caixa inteira (com 50 ou 100 carteirinhas), algo que na altura era impensável, tanto que eu dizia sempre que "quando for grande compro logo duas ou três caixas de uma vez".
Ainda me lembro da ânsia que acompanhava a abertura das saquetas de cromos: vivíamos na esperança que nos calhasse "aquele" cromo, e quando ele nos saía...era o que de mais perto tínhamos de um orgasmo. Quando acabei a caderneta do Euro 92, com o Gianfranco Zola, ou do Mundial 94, com o Gabriel Batistuta, andei a correr pela escola como se tivesse marcado o penalty decisivo de um campeonato do Mundo. Mas antes de me sair o Batistuta, muito tive que penar e muito dinheiro tive que gastar para me sair o Evair, do Brasil. E antes do Evair, roubei o Igor Shalimov da Rússia a um molho de repetidos de um amigo meu.
Grandes tempos... Só quem por lá passou me compreenderá. E só por causa das coisas vou fazer a colecção de cromos do Euro 2012.
A minha primeira colecção a sério foi a do Campeonato da Europa de 1992, realizado na Suécia. Na altura tinha 7 anos e pouco sabia de futebol. E não fazia a mínima ideia quem era um tal de Thomas Hassler, o primeiro cromo que me calhou. E foi exactamente aí que começou o "descalabro". Se hoje em dia sou o que sou (peçam-me para elencar o 11 da selecção cipriota no apuramento para o Mundial e eu digo-o em 15 segundos), em muito o devo aos cromos.
Coleccionar cromos da bola era uma possibilidade extra de integração social. Passávamos os intervalos a trocar cromos, com os molhos gigantescos de repetidos atados com um elástico, e a tentar enganar os putos mais novos para acabarmos mais depressa a nossa colecção. Todo o dinheiro que tínhamos, ou seja, aquele que nos era dado para comprar o lanche ou algo do género, era gasto em cromos. Lembro-me que na altura comprava 4 carteirinhas por 120 escudos. Era o máximo que a minha mãe me deixava gastar. Claro que a ambição de todos os putos era comprar uma caixa inteira (com 50 ou 100 carteirinhas), algo que na altura era impensável, tanto que eu dizia sempre que "quando for grande compro logo duas ou três caixas de uma vez".
Ainda me lembro da ânsia que acompanhava a abertura das saquetas de cromos: vivíamos na esperança que nos calhasse "aquele" cromo, e quando ele nos saía...era o que de mais perto tínhamos de um orgasmo. Quando acabei a caderneta do Euro 92, com o Gianfranco Zola, ou do Mundial 94, com o Gabriel Batistuta, andei a correr pela escola como se tivesse marcado o penalty decisivo de um campeonato do Mundo. Mas antes de me sair o Batistuta, muito tive que penar e muito dinheiro tive que gastar para me sair o Evair, do Brasil. E antes do Evair, roubei o Igor Shalimov da Rússia a um molho de repetidos de um amigo meu.
Grandes tempos... Só quem por lá passou me compreenderá. E só por causa das coisas vou fazer a colecção de cromos do Euro 2012.
19 confissões:
@Dexter, que memória. Agora fiquei com vontade de fazer a caderneta.
Eu ia ao quiosque da D. Teresa. Quando era puto, várias carteirinhas eram de papel diferente do actual, era quase um envelope miniatura fechado com cromos. Eu tinha abébia no quiosque: levava as carteirinhas para casa, descolava o topo daquele género de envelope com muito cuidado, tirava os cromos...escolhia os que ainda não tinha e punha os meus repetidos de volta. Fechava com cola et voilá!
Depois voltava ao quiosque e entregava algumas carteirinhas à D. Teresa.
Que grande esquema!
Ah, e foi lá que comecei a comprar A Bola, ainda andava a aprender a ler!
Acho que tem coisas na vida que são curtidas, assim como tu gostas de futebol, e que devem ser feitas mesmo, por isso achei legal tu fazeres a coleção de cromos do Euro 2012.
Uma coisa que aprecio em ti é esta tua alegria. Também cultivo em mim uma grande alegria nas coisas que faço e gosto. Isto costuma ser contagiante. Faz bem as pessoas que estão à volta.
@POC
Já não sou desse tempo. Quando comecei a comprar cromos já eram as carteirinhas actuais.
Eu tinha um costume que consistia em decorar o primeiro e o último cromo de cada colecção. No Euro 92 foi o Thomas Hassler e o Gianfranco Zola, respectivamente. Mundial 94 foi o Jonas Thern e o Gabriel Batistuta. Euro 96 foi o Abelardo e o Baía (acabei com o Baía!)...
@Carolina
São coisas de menino que deixamos de fazer porque achamos que já não temos idade e somos "maduros". Mas confesso que tenho saudades de todo aquele ritual. Às vezes faz bem esquecer que somos "crescidos" e voltar à meninice.
A minha a sério foi a do Mundial 94 (não era panini, mas depois fiz essa também lol) e lembro-me do primeiro cromo que vi: Guido Buchwald! não sabia nem sequer dizer o nome...
E havia sempre aquela papelaria onde te conheciam e juntavam sempre mais uma carteira de bonus! Muita saudade, mas acho que já não consigo gastar dinheiro nisso :/ Fica a memória e as que ainda tenho cá.
@Luís
A papelaria onde eu ia era a Bazaruca. Ainda existe, mas nunca me deram abébias, pelo menos que eu me lembre.
Guido Buchwald, grande jogador da Mannschaft! Eu tinha dificuldades era nos jogadores da C.E.I. (Comunidade dos Estados Independentes, ou seja, a denominação que conseguiram arranjar para o período de transição entre a União Soviética e os países daí resultantes), como o Dobrovolski ou o Mikhailichenko, ou ainda aquele gajo muito estranho, não sei se te recordas: Akhrik Tzveiba.
Penso que é possivel comprar cromos avulso, escolhendo o que queres. Quando te faltarem poucos faz isso ;)
Foi pena não conseguires acabar a colecção que eu religiosamente te comprava.
Mas há sempre tempo :)
Eu ajudo a abrir as saquetas.
Tu e o homem mais sortudo do mundo haviam de perder horas a falar de jogadores e jogos daqueles que eu nem nunca ouvi falar!! Ainda ontem ele me falou no Nito!!
lá em casa fazemos as colecções de cromos do mundial e do europeu desde que o mais velho nasceu... dizemos que é por causa deles, mas na realidade quem controla a colecção sou eu e o pai... e é uma alegria, ver-me chegar ao escritório e trocar cromos com os outros pais...
:D
O que eu me ri com este post. É que vi a minha versão no masculino "à cata" dos cromos de futebol. Os rapazes na altura não gostava que uma míuda coleccionasse cromos de futebol e não trocavam comigo. O que me safou muitas vezes foi o sr. Tavares (dono da papelaria) que tinha dois filhos que faziam a mesma colecção. A primeira que fiz foi a do México 86, eheh.
três beijinhos
@Jedi
Pois é, mas assim perde a piada toda. Giro é aquela "adrenalina" de abrir as carteirinhas para ver se sai o que nos falta.
@Rosa Cueca
Essa já estava quase no fim.. Mas o do Euro 2012 não falha!
@Maria Pitufa
Eu sou doentio ao ponto de saber coisas que eu próprio desconhecia que sabia...
@Bee
É mais ou menos o que eu digo cá em casa: "Quando o G. crescer depois fazemos as colecções". Sim, quando o G. crescer...
@Carlota
A sério!? Nunca apanhei uma miúda que fizesse colecções de cromos. E essa do México 86 só vi a caderneta completa de um amigo meu, ainda era muito pequenino para fazê-la, só tinha 2 anos.
A nostalgia é f*****... :)
Eu também adorava fazer as cadernetas de cromos... Como tenho um irmão mais velho, a minha mãe dividia a coisa: enquanto ele ficava com as do futebol, eu ficava, por exemplo, com as de um desenho animado que estivesse na moda na altura. No entanto, acabávamos por fazer as duas juntos (mais eu as dele que ele as minhas), pelo que eu, na altura, também conhecia os jogadores de futebol. Maria-rapaz assumida :)
@Dexter, és és, sou pouco mais velho. Havia algumas que ainda eram à antiga. Outras eram carteirinhas já sob vácuo ou o camano.
Mas olha...Djaló já assinou. Amnistia para mim pf:
http://simaoescuta.blogspot.com/2012/01/violencia-nos-testiculos-amnistia.html
Desses já não me lembro de quase nenhum... Tirando alguns russos tipo Oleg Salenko, Cherchesov, Onopko, Mostovoi (do Benfas) e Radchenko. Nem tenho aqui essas cadernetas, devem estar perdidas no sótão. O problema é que pouca gente dá valor aquilo, até eu quando olhava para uma já feita achava que não tinha piada, queria era a minha assim para esfregar na cara dos outros lool
Não só faz bem como é terapêutico :)
Tenho aqui uma caderneta completa de 93/94, tinha eu 6 anos. Revejo-me em tanta coisa do que falas, meu deus que tempos!
Nem eu próprio sabia quem era o Jaime Pacheco (Braga) ou o António Sousa (Estoril), só passados anos é que fui percebendo melhor que jogadores é que jogavam naquela altura. Claro que quando estava a fazer a colecção o cromo mais famoso era o do Bobó do Boavista, ou do Nito do Belenenses. Passados uns tempos os cromos mais famosos passaram a ser o do Best, o do Cacioli, e o do Agatao!
Nunca me esqueço destas coisas. Aquelas trocas de cromos testavam a nossa capacidade de negócio. Brutal!
@Ruyva
É mesmo...:)
@B.L.
Até eu quando não tinha cromos da bola para fazer, fazia de outras coisas: aviões, selos, dos Simpsons. Era um vício.
@POC
Acredito, mas não tenho mesmo ideia disso. Quando comecei a fazer a do Euro 92 já eram carteirinhas normais.
@Luís
O Stanislav Cherchesov era senhor de uma bigodaça imponente! Desconfio que se o homem não tivesse sido jogador da bola, teria de certeza enveredado por uma carreira promissora no KGB.
@Carolina Tavares
Podes ter a certeza :)
@Bruno Pinto
Grandes tempos. O Agatão era uma figura...assim como o Mangonga, o Ziad, o Dinis do Beira Mar, ou o Milton Mendes do União da Madeira. Já não se fazem jogadores como antigamente.
Olá Dexter, tudo bem?
Tu não tens noção da malta que continua a fazer colecções de cromos, em especial de futebol...é que há malta que faz umas 5 ou 6 iguais para poder depois trocar por cadernetas de campeonatos estrangeiros, como o espanhol, italiano, inglês, brasileiro...é um autêntico vício.
Eu apesar de ser rapariga,muito por culpa dos meus irmãos mais velhos, também não tenho resistido aos Euros e Mundiais (apesar dos quase 600 cromos)...e a Panini anda a "roubar" mais que nunca...agora por menos de 100 euros não fazes uma caderneta do mundial ou do euro...mas sim, ainda me lembro que a primeira colecção que terminei foi a do Rei Leão, e que foi uma agulha num palheiro, porque os meus pais não pediam os "últimos" por carta para a Panini porque o cheque podia se extraviar...criança sofre...
Essa caderneta que a Rosinha te foi comprando, é algo recente? Sempre podes ir tentar trocas ao site "troca cromos" que eles normalmente têm lá a "nata" dos coleccionadores e o que não falta são cromos para a troca.
Caso contrário, já sabes que quando fizeres a nova caderneta do euro, lá arranjas trocas na certa!
beijinhos, Joana
Enviar um comentário