Segunda-feira, 6 de Fevereiro de 2012

Coisas que me irritam LVIII

Aquele pessoal que bate palmas quando está perante um minuto de silêncio.

Normalmente, este acontecimento tem lugar nos estádios de futebol, imediatamente antes do início do jogo, em homenagem a alguém que faleceu ou em relação a uma tragédia ou catástrofe. É então suposto fazer "um minuto de silêncio" em honra dessa pessoa ou de forma a homenagear as vítimas de uma tragédia em particular. Porém, na maior parte das vezes, o estádio irrompe em estrondosas palmas, o que me deixa os nervos em franja.

De acordo com a sempre acertada Wikipédia, "silêncio" é "a ausência total ou relativa de sons audíveis". Ora, na minha terra, o som de palmas é um som audível. Para além de ser algo parolo, acaba por ser desrespeitoso. Não há nada como o silêncio.

Mas quiçá pior ainda é quando o estádio cumpre efectivamente um silêncio sepulcral, e o comentador televisivo continua a falar como se nada fosse. Era espetar-lhe com um estalo.

22 confissões:

Carolina Tavares disse...

Penso que quando algum acontecimento cala o ser humano este acontecimento tem um significado e força muito importante. Embora entenda o que digas, também compreendo que este ato de silenciar, acompanhado do motivo que levou a silenciar, possui um grande impacto sobre a emoção humana, e as palmas são uma forma de catarse, o que poderá também ser o choro. Há de se considerar que é muito forte. Outro fator que tem muita força neste contexto é a multidão reunida em um lugar, àquela energia tem uma força considerável. Então é um movimento de massa diante de um acontecimento marcante mexendo com a emoção, o que certamente haverá um extravasar dessa emoção, não tem como ser diferente.

Dexter disse...

@Carolina
Acho que o acto de bater palmas acaba por banalizar um pouco a situação, ou seja, acaba por retirar - mesmo que inconscientemente - a faceta "trágica" da ocorrência. Porque a morte, quer queiramos quer não, é sempre trágica.

Lembro-me que a vez na qual mais senti o silêncio e o peso esmagador da dor da perda, foi em Outubro de 1999. Nesse dia, o antigo Estádio da Luz estava cheio (120.000 pessoas) para assistir ao jogo decisivo de apuramento para o Euro 2000 entre Portugal e Hungria. Ironia do destino, o jogo coincidiu com a morte, um dia antes, de uma das figuras incontornáveis de Portugal, Amália Rodrigues, a fadista mais famosa do mundo. Toda a gente ergueu as bandeiras e os cachecóis bem alto, e durante um minuto, um silêncio sepulcral e sentido inundou o estádio. Impressionante.

Jedi Master Atomic disse...

Tens também a situação de bater palmas no final dum filme ou depois duma aterragem dum avião....situações idiotas.

José Piçarra disse...

Dexter, ia falar dessa história da morte da Amália Rodrigues. Acho que nunca senti um peso tão grande vindo do silêncio da televisão (vi o jogo na televisão). E houve outros momentos parecidos, embora não me consiga recordar de nenhum em particular.

Cat disse...

Até diria que o bater palmas e o silêncio, no que diz respeito à memória de falecidos, têm um significado contrário um do outro :/

Dexter disse...

@Jedi
De facto essa de bater palmas depois de o avião ter aterrado é do caraças. O tipo não fez mais que a obrigação dele. Que eu saiba, ninguém bate palmas ao motorista da Carris quando chega à paragem do Desterro.

@Zica
Eu estava no estádio e confesso que soltei uma lagriminha. E nem sou dessas coisas.

@Cat
Pois, eu acho o mesmo, mas o que é que queres fazer?

Bernardo disse...

não concordo

Vadeer disse...

Agora no jogo do SCP para a taça da liga aconteceu isso mesmo

O comentador em vez de se calar naoooo, para mim aqueles comentadores (mediocres como sao na sua profissao) deviam era de fazer 90 minutos de silencio

Um minuto de silencio é uma homenagem e um minuto de reflexao tambem nao sou de acordo com as palmas

Xerazade disse...

Não podia estar mais de acordo. Então é par fazer um minuto de silêncio e desata tudo a bater palmas! Juro que nunca compreendi muito em esse fenómeno! Ou são burros e não compreendem o significado da coisa ou estão-se pouco borrifando para a tragédia em causa.

Rui Pi disse...

A mim quer-me parecer que quando se faz isso é porque o silêncio não tem significado suficiente para as pessoas que o deviam estar a fazer.
Além disso, para as multidões, é muito mais fácil fazer barulho do que estar calado e isso sim mostra o respeito que se tem por quem partiu.
Ao contrário do que diz a Carolina Tavares, não me parece um caso de catarse, mas sim de estupidez social.

Rosa Cueca disse...

Acho um pouco ridículo não respeitar o silêncio.
Ter o comentador blablabla e pardais ao ninho...e minuto de silêncio...quando se vai a ver, já o minuto passou e o tipo não se soube calar.

Dexter disse...

@Bernardo
E estás no teu direito.

@Vadeer
Noventa minutos de silêncio para muitos comentadores é pouco.

@Xerazade
Eu acho que a coisa ainda é pior do que parece: eles acham que estão a ser muito profissionais a explicar às pessoas porque é que aquele minuto de silêncio está a ter lugar.

@Rui Pi
Eu não quis ser tão directo, mas concordo contigo: é estupidez social.

@Rosa Cueca
...e não disse nada de jeito. Para não variar.

Secret disse...

Na minha modesta opinião os Portugueses têm uma estranha necessidade de mostrarem aquilo que não sentem, deitarem lágrimas de crocodilo por situações que em nada lhes toca e levarem ao rubro sentimentos com o toque "tuga azeitolas" (muitas vezes, descurando a dor de quem realmente passa por elas)!
A mim o que me choca (e confesso até me revolta), é que essas mesmas pessoas que fazem estas manifestações exuberantes, sejam umas autenticas cabras para aqueles que realmente devem respeito e carinho!

POC disse...

Minuto de silêncio é para se estar calado. E vice-versa.

No fim, então sim, uma grande, enorme, salva de palmas.

Manca Mulas disse...

Então um minuto de silêncio em memória de todos aqueles que já tiveram aquela horrorosa "assadura" na virilha e/ou cabeçote e a famosa "colada"...
:)

tiago leal disse...

Por acaso irrita-me mais o comentador a dizer "Bem, este minuto de silêncio é em homenagem a não sei quem, reparem que as equipas estão de mãos dadas..." do que o bater de palmas...

Luís disse...

Não me lembrava dessa da Amália... Há também por aí comentadores que sentem a necessidade de relatar o minuto de silêncio, parece que quem está em casa não vê que está tudo calado à espera que o jogo comece.

Carolina Tavares disse...

Deve ter sido emocionante o silêncio em homenagem a Amália Rodrigues. Fiquei emocionada ao ler o teu relato, gostava dela.
Entendo perfeitamente o que dizes, só tenho acrescentar duas situações que me vieram a mente. Uma que o ritual diante da morte é cultural e varia de uma cultura para outra. Então, pode ser que em uma cultura essa homenagem seja feita com algum ruído, como por exemplo, ao som de tambor (pensei nos índios, mas não sei se é assim).
E outra é quando um militar é sepultado, há silêncio e depois uma salva de tiros.

Carolina Tavares disse...

Li os comentários, e voltando a falar de cultura, eu já sei que quando estiver em Portugal e tiver um minuto de silêncio, é minuto de silêncio mesmo, sem catarse depois. Já entendi. Deixa comigo.

No Brasil é diferente e penso que somos diferentes, como cada povo é, e entendo perfeitamente o meu povo, mas também estou interessada no que pensa e como vivem os outros povos, com carinho especial para Portugal.

Andie disse...

O português tem um sério problema de interpretação da própria língua. Que parte do "silêncio" é que não percebem?
Querem bater palmas em homenagem, façam-no no fim. E sim, eu ainda me lembro de os minutos de silêncio serem isso mesmo, em silêncio. Ainda este fim-de-semana no jogo Porto-Benfica de hóquei lá se fez o minuto de palmas pela memória do pai do Filipe Santos. Eu levei 1 minuto com aquela cara de "era uma chapada colectiva naqueles gajos"!
Quem raio se lembrou de começar a bater palmas?

Dexter disse...

@Secret
Concordo. O minuto de palmas funciona mais para se mostrar que se está a sofrer muito com a coisa. A verdade é que passa completamente a imagem contrária.

@POC
E mais nada!

@Manca Mulas
Isso merece...10 minutos de silêncio!

@Tiago Leal
Como se não pudesse explicar depois.

@Luís
Infelizmente, é o profissionalismo que temos.

@Carolina
Eu compreendo, mas no Brasil é diferente, em função - como bem disseste - das variantes culturais inerentes ao país e ao continente. Ora, em Portugal nada disso se justifica, e como a Secret referiu, o português tem muito a mania de querer ser exuberante demais nestas situações, quando na verdade está apenas a "fingir" que se preocupa. Portuguesices.

@Andie
Como se toda a gente conhecesse o pai do Filipe Santos e tivesse razões para bater palmas. Nesses momentos, não há nada como o silêncio.

Pedro Bernardo disse...

Nada é mais mágico e introspetivo que 50.000 pessoas num único lugar em silêncio, é simplesmente arrepiante, e nesse minuto somos um só, com aquele a quem prestamos homenagem. Nom fim do minuto de siêncio batemos palmas e rejubilamos, quem de facto quer homenagear faz isto, quem é teimoso e quer fazer as coisas á sua maneira, faz barulho, estamos num país livre, mas tal como aqui foi dito, o silêncio de milhares é magnífico...
Confundir isto com bater palmas na aterragem de avião ou quando alguém faz anos é estar a falar de coisas diferentes, claro que rejubilo e bato palmas nessas alturas...
Não sei se por ser amante de música, ou simplesmente apreciar o silêncio e o som no momento certo, mas identifico-me muito com este post.
Obrigado