Quarta-feira, 29 de Fevereiro de 2012

Para os senhores da MEO

Isto de andar sem net há mais de uma semana e de saber que só vou voltar a tê-la no próxima dia 5, dá-me cabo dos nervos. Não pela situação em si, mas pela incompetência dos tipos da MEO, que quando foram lá a casa para instalar o serviço, deram conta que tinham não sei o quê do código postal errado, e que por isso não podiam fazer a instalação e teriam que marcar nova data para essas tretas todas.

Moral da história: por causa de um erro deles do qual não tenho culpa nenhuma, ando praticamente isolado do mundo há não sei quanto tempo. Sabem qual é o meu desejo para vocês, senhores da MEO? Que andem a cagar fininho durante dois meses. E daquele cocó ácido, para ficarem com o cu em chamas.

E era isto.

Segunda-feira, 27 de Fevereiro de 2012

A magia de ser homem (II)

Eu sei que muito provavelmente já falei disto por aqui, mas não há nada como mijar de pé.

É um dom, uma vantagem homérica que é concedida aos homens na arte de bem urinar. Faça chuva, faça sol, faça frio ou calor, um gajo abre a braguilha, tira o instrumento do amor cá para fora e vá de verter águas onde quer que seja, a qualquer hora e em qualquer lugar. Não há nada como sentir a Natureza em estado bruto, a brisa salina do mar, ou até a essência da fotossíntese no meio do mato, qual soldado português em plena Guerra Colonial. E quanto menos forem os filtros sociais, mais fácil e vasta se torna esta vantagem.

Falando por mim, já experimentei um vasto leque de locais mictáveis, entre os quais se destacam: Castelo de S. Jorge; Avenida da Liberdade, bem lá no meio; pátio do Bar Novo da Faculdade de Direito de Lisboa numa Festa da Cerveja; ameias do castelo de Palmela, durante a noite; e muitas outras que por mero decoro social não convém estar aqui a descrever.

Quinta-feira, 23 de Fevereiro de 2012

A magia de ser homem (I)

Há uns dias, num jantar, numa conversa entre duas raparigas (uma delas a Rosa Cueca) e eu:

Outra Rapariga: Adoro filmes da Disney, mas numa data deles acabo sempre a chorar!

Rosa Cueca: Ohh, eu também...Não consigo ver o Bambi sem soltar uma lagriminha...

Outra Rapariga: (disse uma data de filmes nos quais chorou, mas como a conversa não me estava a interessar, estava completamente noutra, com aquele ar ausente que me caracteriza)...e tu Dexter (ninguém me chama Dexter, mas sim o meu nome verdadeiro, atenção) nunca choraste por causa de uma coisa do género?

Eu: Sim, chorei na final do Euro 2004.

Prioridades, meus caros, prioridades.

Domingo, 19 de Fevereiro de 2012

Serei eu a única pessoa que sempre que vê daqueles anúncios do género "compramos o seu ouro e pagamos já", pensa em fazer uma razia ao stash que a avó tem lá em casa?

(estou a brincar, sim?)

Sexta-feira, 17 de Fevereiro de 2012

Deus é grande. Mas só às vezes.

Acho a religião uma coisa engraçada. E incoerente. E algo injusta para quem verdadeiramente trabalha.

Senão vejamos: imaginem uma situação pessoal extrema, seja ela de saúde ou que envolva os préstimos de um advogado. Claro está que uma pessoa crente, nessas situações mais melindrosas, vai recorrer à divina providência, na expectativa que Deus Nosso Senhor a safe da questão em apreço. Todavia, bem sabemos que nestas coisas da saúde e do Direito, a probabilidade de dar para o torto é considerável. E é aqui que começa a incoerência.

Pois bem, se a coisa corre mal, a culpa é do médico que foi um negligente, ou do sacana do advogado que andou a chupar dinheiro que nem uma sanguessuga, e andava a mamar caipirinhas em vez de viver 24/7 sobre o problema (os advogados também têm vida, sabem?).

Porém, se tudo correr bem, é porque Deus assim o quis, e Deus salvou, e Deus é grande, e por aí em diante. E o desgraçado do médico ou do advogado, que por sinal até foram os reais responsáveis pelo sucesso, não fizeram mais que a sua obrigação.

Nestas situações, só me apraz dizer: fia-te na Virgem e não corras.

Quarta-feira, 15 de Fevereiro de 2012

Da Arma Nuclear

Apesar de o inalcancável Dexter já ter aflorado este tema há já muito tempo, o facto é que nunca é demais recordá-lo! Pois é meus caros, mas especialmente minhas caras: As mulheres possuem no seu corpo aquilo a que podemos definir como uma arma nuclear, falo-vos, claro, da vagina ou, em vernáculo rasteiro, da rata ou cona (pusse em inglês)!

É verdade, é impressionante como uma mulher, que até nem precisa de ser especialmente bonita, consegue, se quiser, atingir tudo o que quer! Basta que se insinue (e não só...) a um gajo influente, de meia idade e rebarbadão e PIMBA!, é certinho: passado um par de meses já está a ocupar altos cargos de chefia ou a auferir o triplo do seu vencimento até então!

Ora, como felizmente há muitas mulheres que se dão ao respeito e não estão para estas merdas, muitas não chegam a estes cargos, mas neste nosso mundinho actual (porco, capitalista e interesseiro) uma galdéria oferecida e despojada de princípios chega muito longe! Posso-vos garantir com exemplos vistos in loco!

Por isso, antes de andarem com a mania da perseguição dos outros sacos de metro-e-meio dos norte-coreanos, tenham medo, muito medo das putas perigosas que vos cercam! Essas fazem uso de uma arma bem mais perigosa que aquelas fabricadas naqueles campos de concentração nos confins da Ásia!

Chick magnets

Muito à semelhança de um post da semana passada (aqui está o link), existem certos comportamentos ou acções que um tipo pode utilizar para chamar a atenção feminina. Desta feita, não me vou cingir à blogosfera, mas sim a todo esse campo de batalha que se chama vida (estou aqui a dar uma daqueles gajos que escrevem livros de auto ajuda).

1. Arranja um animal de estimação. Por qualquer razão que me escapa, as mulheres apreciam que um gajo tenha um bicho em casa e que tome conta dele. E vê-lo na rua debaixo de uma intempérie a passear o cão é coisinha para deixar uma tipa com mais consideração em relação a ele. Afinal de contas, ele tem um coração por preencher, já que a única companhia é o pobre canídeo. E sempre dá para meter conversa no elevador com a vizinha voluptuosa e simpática do andar de baixo.

2. Coloca no Facebook fotos tuas de quando era bebé ou criança pequena. Até o Pinto da Costa devia ser queridinho quando era um pequeno infante. Depois transformou-se num sapo bojudo e horripilante, mas isso toca a todos.

3. Melhor ainda: se tiveres fotos com um/a sobrinho/a, ou um/a afilhado/a pequenito, divulga-a subtilmente. Mostra que tens um lado humano e enternecedor que gosta de crianças. Mesmo que na noite passada tenhas estado no Elefanto Branco nos braços (e não só) da Svetlana, que na Ucrânia era modelo de lingerie.

4. Ainda na senda do n.º 1, dá a entender que és defensor dos direitos dos animais, independentemente daquele pincher nojento e irritante da velha do café, que de cada vez que lhe pões a vista em cima imaginas dezenas maneiras diferentes de lhe esmagar a cabeça à biqueirada.

5. No Facebook, partilha músicas mais classy, sem te mostrares muito apaneleirado. Ou seja, partilhar uma música do Pablo Alborán passa só a ideia que és meio tóino. Opta antes por uma coisa com mais classe, passível de gostares, mas que elas gostem também.

Deve ser do cansaço

Juro que nem dei por ela: há cerca de 109 posts atrás, já incluindo este, atingi a sempre marcante fasquia dos 1000 posts. Já vou é atrasado, mas vale sempre a pena recordar e assinalar esta efeméride.

Vá, agora é a parte em que me incham o ego e cenas desse género.

Terça-feira, 14 de Fevereiro de 2012

O que é que acontece...

...quando a mulher não está em casa e estamos sem disponibilidade psicológica (errr....preguiça!) para cozinhar algo comestível?

O jantar é composto por barrinhas Kinder e Amarguinha. Tudo isto enquanto se vê o resumo do Braga - Besiktas e se ouve o álbum "Brothers" dos sempre fantásticos Black Keys.

Sou ou não sou um charme?

Segunda-feira, 13 de Fevereiro de 2012

Carta aberta aos utilizadores do Facebook

Caras pessoas do Facebook,

Compreendo que sejam uns corações moles, mas não sou obrigado a ter de levar com bebés mutilados, fetos arrancados do ventre e pessoas alvo de quimioterapia de cada vez que abro a minha conta. Uma vez por outra até passa, mas não precisam de publicar imagens desse calibre dia sim, dia sim, de forma a provar perante o mundo que são pessoas conscienciosas e preocupadas com os menos afortunados.

Fiquem também sabendo que lá por não clicar no "gosto" na publicação dos "Amigos do Transplante", ou somente porque não colo no meu mural uma coisa qualquer alusiva à violência doméstica, tal não faz de mim uma besta insensível. Acho bem mais proveitoso denunciar um caso que conheça ao Ministério Público, ou melhor ainda, descarregar a minha raiva decorrente do quotidiano num Zé Merdas qualquer que bate na mulher. Mesmo que não publique no Facebook que a Ermelinda leva porrada do Toni sempre que o Benfica perde. Pensando bem, este nem será o melhor exemplo, dado que assim a Ermelinda já não leva na corneta há largos meses. Mas perceberam a ideia.

E para os mais incautos, os meninos esfomeados de África ou as vítimas de mutilação genital feminina não vão receber ajuda extra se clicarem num "gosto" de uma qualquer ligação ou se a partilharem no vosso mural. Não sejam comidos por papalvos e não acreditem em qualquer patranha que vos queiram enfiar. Da mesma forma que não precisam de se preocupar com a história da menina que não partilhou um link qualquer, e no dia a seguir ficou paraplégica, surda, muda e cega, assim mesmo tudo de uma vez. Não vos vai acontecer o mesmo, sim?

Atentamente,

A Gerência.

O IV Reich

Se, por obra do acaso, fosse instituído um IV Reich, e se, mais uma vez por obra do acaso, eu fosse o Führer desse hipotético Reich, já sei quem seriam as únicas pessoas que mandaria para os campos de concentração, para usufruir das suas magníficas instalações: os tipos da EMEL.

São a praga da sociedade em pessoa. Seres odiosos, sempre com a porcaria da máquina das multas ou lá o que é aquilo atrás, chateiam tudo e todos com a merda dos parquímetros e do estacionamento pago. Senhores da EMEL, sabem o que faço com as vossas cartinhas deixadas no pára-brisas? Vão directamente para o caixote do lixo mais próximo.

Cambada de sanguessugas.

Domingo, 12 de Fevereiro de 2012

Houston, we have a problem

ÉnaaaaaaaaaaaiIAIAAAAAAAAAAAAAAAAAAAI...uilóóóóóóluaislóviuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu.....

Foi-se. Se fue. Kaput.

Agora é ver toda a discografia da senhora na Fnac e lojas do género, que será vendida como nunca antes, sendo que toda a gente irá descobrir a curto prazo que sempre adorou e comungou algo com a Whitney Houston.

Sábado, 11 de Fevereiro de 2012

Sabes que estás a ficar velho quando...

1 - Reparas que em 2012 faz exactamente 10 anos que tiraste a carta de condução;
2 - Em 2012 faz igualmente 10 anos que entraste para a faculdade;
3 - Uma miúda de 15 anos te trata por "você";
4 - Já não podes usufruir das vantagens do Cartão Jovem;
5 - A tua mãe te diz: "já tens quase 30 anos, tens de começar a ter juízo". Entenda-se que para a minha mãe, "ter juízo" é sinónimo de chamar-me a atenção para comer fruta depois das refeições.

Quinta-feira, 9 de Fevereiro de 2012

Porque uma imagem vale mais que mil palavras

Porque é que...

...as músicas da Mafalda Veiga me parecem todas iguais? Ou então é só impressão minha.

Quarta-feira, 8 de Fevereiro de 2012

Os Anónimos estudados à lupa: nem o David Attenborough faria melhor

Já muito se escreveu sobre os Anónimos (assim mesmo, com letra grande, porque merecem o nosso respeito) por essa blogosfera fora, mas penso que nunca ninguém fez uma lista sobre as várias categorias de Anónimos, pelo que vou chegar-me à frente no que toca a esse ponto. Não me refiro, obviamente, às pessoas que não têm conta no Blogger - os anónimos, com minúscula - uma vez que não têm outra alternativa. Então aqui vai:

a) O Anónimo moralista - Esta estirpe define-se por parecer que está a concorrer para Miss Mundo, dado o pudor e o tom crítico com que acentuam os seus comentários acintosos. Julgam-se paladinos da moral e dos bons costumes, pelo que qualquer assunto que fuja ao politicamente correcto é imediatamente objecto de censura. Escusado será dizer que se acham muitos degraus acima do comum mortal, moralmente falando.

b) O Anónimo unicelular - Normalmente movido pela inveja (seja lá por que motivo for...) ou simplesmente porque é mal formado, o Anónimo unicelular é completamente desprovido de qualquer vestígio de inteligência, limitando-se a insultar ou insinuar algo sobre o autor, de forma quase gratuita. Não é raro tais comentários estarem pejados de erros ortográficos, fazendo assim plena justiça ao seu epíteto de "unicelular".

c) O Anónimo ressabiado - Bem, na verdade são quase todos. Mas existe uma categoria que se resume unicamente ao ressabiamento, que pode ter várias origens: leu um post ou um comentário nosso noutro blog que o/a irritou; faz-lhe comichão o relacionamento entre duas pessoas; não descarrega as suas frustrações noutro lado e fá-lo na blogosfera (mais vale isso do que ceifar meia repartição de finanças a tiro de caçadeira).

d) O Anónimo cobarde - Trata-se de uma espécie bastante difícil de identificar, já que estes Anónimos normalmente têm um blog, mas não têm coragem para "dar a cara", sentindo-se mais confortáveis a mandar postas de pescada salvaguardados pelo anonimato. São mais do que julgamos e andam por aí à solta.

Idealmente haverá ainda mais categorias onde se podem incluir um Anónimo, mas penso que mediante uma interpretação extensiva da coisa, os mesmos poderão ser distribuídos pelas quatro categoria acima discriminadas.

Mas admitamos: a blogosfera não seria nada sem eles, não é?

Terça-feira, 7 de Fevereiro de 2012

Escapei por um triz a uma vida de narcóticos



Não obstante o formato fálico da coisa, admito que este inalador é um vício que redescobri hoje, após longos anos de secura. Juro que ninguém me pagou para escrever sobre o produto, mas confesso que adoro snifar Vicks. No 1º ano da Faculdade, estudei para o exame de História do Direito enquanto snifava isto, e saquei um notão. Claro que não tem uma coisa a ver com a outra, mas serve de auto consolo (mais uma palavra complicada quando apresento no mesmo post um objecto parecido com um vibrador). Não há nada como inspirar bem fundo e sentir o mentol e a cânfora a penetrar no cérebro (mais uma...).

A verdade é que, se juntarmos o Red Bull ao Vicks, sou forçado a admitir que fiquei a uma unha negra das teias da droga. É que de Vicks a ácidos é um instantinho.

Vá, podem todos dizer em uníssono: "és um gajo estranho, pá".

Segunda-feira, 6 de Fevereiro de 2012

Coisas que me irritam LVIII

Aquele pessoal que bate palmas quando está perante um minuto de silêncio.

Normalmente, este acontecimento tem lugar nos estádios de futebol, imediatamente antes do início do jogo, em homenagem a alguém que faleceu ou em relação a uma tragédia ou catástrofe. É então suposto fazer "um minuto de silêncio" em honra dessa pessoa ou de forma a homenagear as vítimas de uma tragédia em particular. Porém, na maior parte das vezes, o estádio irrompe em estrondosas palmas, o que me deixa os nervos em franja.

De acordo com a sempre acertada Wikipédia, "silêncio" é "a ausência total ou relativa de sons audíveis". Ora, na minha terra, o som de palmas é um som audível. Para além de ser algo parolo, acaba por ser desrespeitoso. Não há nada como o silêncio.

Mas quiçá pior ainda é quando o estádio cumpre efectivamente um silêncio sepulcral, e o comentador televisivo continua a falar como se nada fosse. Era espetar-lhe com um estalo.

Domingo, 5 de Fevereiro de 2012

Como ser um blogger com sucesso entre o público feminino: dicas úteis

1. Não escrevas nada do que é escrito neste blog.
Esta é a regra número um. As mulheres gostam de ler coisas escritas por um tipo vivido, maduro, sensível e sensato. Ou por um tipo que pareça ter essas características. Ora, eu não as tenho nem pareço ter, o que desde logo é um sinal que deve ser tomado em linha de conta.

2. Escreve sobre relações e sobre o amor.
Mais uma vez, não preciso de entrar em explicações muito detalhadas. As mulheres adoram ler e reflectir acerca de relacionamentos e do nobre sentimento que é o amor. E manifestam genuína admiração quando lêem algo do género proveniente de um homem, mesmo que este meta os pés pelas mãos e escreva coisas sem muito sentido. O importante é escreveres algo que elas queiram ler. Não estou a desvendar segredo nenhum, este item já é mais velho que a Sé de Braga.

3. Mostra que és um gajo preocupado com os outros.
Como? Facílimo: dá a entender que fazes voluntariado (se o fizeres, tanto melhor!), que és dador de sangue ou de medula óssea (mais uma vez, se o fores, tanto melhor!) ou algo assim do género. Passa aquela imagem que não és um tipo egoísta, mas sim um homem maduro que dedica a sua vida a ajudar terceiros. Cenas relacionadas com a protecção do ambiente ou dos direitos dos animais também costuma resultar.

4. Fala de moda.
É um cliché, mas resulta. Mas tem cuidado para não te tornares numa Carrie, que aí já ultrapassa um bocado a imagem de "gajo preocupado com a imagem" para algo menos másculo. Opta pelo estilo a cair para o hipster (mas um hipster moderno, não daqueles que parecem saídos do século XIX), e insinua que fazes compras no Chiado e andas por lá a passear-te de iPod numa mão e copo do Starbucks na outra.

5. Se tiveres filhos, fala deles.
Pode parecer que não, mas este tópico é um verdadeiro chick magnet. É mais ou menos como a história do gajo que antes de casar ninguém olhava para ele, mas agora que usa aliança é assediado por tudo quanto é parte. Bem, talvez esteja a exagerar, mas a verdade é que resulta. Claro que se disserem coisas do género "o puto é um ranhoso irritante", não vão a lado nenhum. Optem por coisas enternecedoras, obviamente. E a experiência de leitura blogosférica que tenho diz-me que nesse aspecto rende muito mais ter uma filha do que ter um filho. Deve despertar nas mulheres um complexo de Electra, ou algo do género.

Sábado, 4 de Fevereiro de 2012

A assadura

Estava eu um dia no comboio numa ida para a faculdade, já ali a roçar o verão e, portanto, num dia onde o calor abundava, quando, no torpor daquele soninho saboroso propício das viagens do referido meio de transporte, começo a sentir um ligeiro odor a carne assada. Abro os olhos, na expectativa de ver uma banca com sandes desse género, e obviamente, não deparo com nada disso. Ao invés, ao meu lado estava apenas um rapaz, coberto de suor, e imediatamente percebi que era dali que vinha o dito odor: proveniente, claro está, do fenómeno da assadura.

A assadura é um fenómeno que ocorre maioritariamente com o tempo quente, em virtude do uso desmedido do calçanito de banho e da rede que lá está acoplada. O roçar do tecido nas virilhas durante tempo indeterminado causa impreterivelmente a dita assadura, algures entre a coxa e o escroto, resultando precisamente daí um certo odor a carne assada, ou a repolho cozido, dependendo do odor corporal de cada indivíduo. A assadura pode resultar igualmente da utilização de umas calças justas, de uns boxers mais apertados, e de uma miríade de razões que agora não importa relevar para a questão em apreço.

E acreditem que a coisa é capaz de piorar substancialmente se um tipo optar por usar uma pomada corticóide para debelar a mazela, pois vai cozinhar um cheiro ainda mais penetrante que os acima mencionados: algures ali entre o fabrico de papel e a queima do pneu.

Nunca ninguém disse que ser homem é fácil.

Sexta-feira, 3 de Fevereiro de 2012

A colada

Nunca ninguém disse que ser homem é fácil. Não temos o período numa base mensal, não damos à luz, nem temos nenhuma dessas cenas chatas típicas das mulheres, mas deparamo-nos com um problema ao qual ninguém dá valor: a mítica e sempre desconfortável colada.

E perguntam vocês: "o que é a colada?". Pois bem, caríssimos, a colada é aquele fenómeno que consiste na junção dos testículos à coxa, devido aos efeitos do calor e do suor, e que cria aquele desconforto muito particular quando estamos a caminhar. Especialmente no verão, a colada cria todo um caldinho de suor que fica ali a marinar nas virilhas, criando uma pasta pegajosa que dificulta a locomoção a um tipo.

Daí ser necessário "descolar", o que muitas vez se faz em pleno andamento. Quando virem um homem a flanquear a perna enquanto anda, ou a esticar a perna como se tivesse Tourette ou como estivesse a imitar o Jackie Chan, já sabem o que é. Claro que há formas mais discretas de fazer a coisa, mas isso faz perder a classe toda ao momento. Se é para descolar, é para descolar como deve ser.

Nomes infelizes

Não me refiro a Vitelina, Asdrúbal, Gaudêncio ou Herlander - nomes que revelam o quanto os pais não desejavam o nascimento de um filho - mas sim àqueles nomes que à partida são normais, mas que supervenientemente, por uma vicissitude histórica ou política, vêm a tornar-se alvo de piadolas, de chacota, e até de alguma vergonha.

Seria o caso de um desgraçado que há uns 20 anos nascesse com o nome Carlos Silvino. É um nome aparentemente normal, até ser celebrizado, há cerca de 10 anos, pelo famigerado Bibi, o pedófilo mais conhecido de Portugal. Agora imaginem que esse pobre Carlos Silvino até tinha tirado com muito esforço o curso de Educador de Infância e está agora a enviar currículos. É lixado.

O mesmo se passa com o pessoal que se chama Carlos Cruz (que diz que está inocente), José Sócrates, Luís Militão (o tipo que assassinou os empresários portugueses no Brasil), e por aí em diante. E já viram o azar de um gajo alemão que tenha o apelido Hitler? Ou Göhring. Ou Himmler.

Aliás, pode estar a vir a lume um energúmeno qualquer com o vosso nome, já imaginaram?

São estas coisas que fazem um anónimo José Silva ser o homem mais sortudo do mundo.

Quinta-feira, 2 de Fevereiro de 2012

Da solidão

Há uns meses atrás, num centro comercial de pequena dimensão aqui da zona, reparei que num banquinho que lá existe no átrio principal estava um idoso sentado, completamente sozinho, a olhar o vazio com uma expressão apática e sem rumo. Nos dias seguintes que lá passei dei com o mesmo idoso, no mesmo sítio, a fazer exactamente o mesmo, ou seja, a fitar o infinito sem qualquer reacção. Fortuitamente vim a saber que o senhor tinha acabado de ficar viúvo, e os dois filhos que tem, há muito que tinham ido à procura de uma vida melhor no estrangeiro, só vindo a Portugal de tempos a tempos. E foi aqui que percebi de que maleita padecia o senhor: solidão.

A solidão na terceira idade é uma coisa que me aflige. Mesmo sendo jovem e sabendo que, se lá chegar, a terceira idade ainda está muito longe, receio bastante vir eventualmente a passar pelo mesmo. Por vezes temos que sair da nossa bolha egocêntrica e colocarmo-nos no lugar de outrem: imaginem o que deve sentir uma pessoa já com mais de 80 anos, viúvo, reformado, sem amigos, com os filhos longe, completamente sem rumo. O silêncio da sua casa deve ser o som mais violento que aquele senhor jamais ouviu. No fundo, ele ia para aquele banco de um centro comercial passar o tempo, queimar os dias, ver pessoas, para ter noção que ainda se encontrava no planeta Terra. Ainda mais frustrante deverá ser depois de termos tido uma vida cheia: termos aproveitado a juventude, termos casado, tido filhos, vê-los a crescer, termos passado a vida a trabalhar... E depois, assim de repente, somos postos de lado, e toda a gente se esquece de nós, como se nunca tivéssemos existido, como se nunca tivéssemos deixado alguma testemunha viva da nossa existência.

Há coisas que nos dão que pensar. Um dia posso ser eu.

Quarta-feira, 1 de Fevereiro de 2012

Já não se fazem mulheres como antigamente

Hoje, no centro de saúde, enquanto esperava com o G. pela consulta, acercou-se de nós uma velhota simpática que falava tal e qual uma metralhadora. Após contar-me a história da vida dela, bem como dos filhos e dos netos, saiu-se com esta pérola que vale a pena guardar para a posteridade:

"O meu marido pediu-me em namoro quando eu tinha 15 anos. Disse-lhe que ia pensar, porque não queria perder a minha mocidade. Quando decidi, disse-lhe que por aquela altura não queria nada com ele, mas que prometia casar-me com o rapaz quando eu tivesse 23 anos, já que ele até era bom miúdo. Meu dito, meu feito. E olhe que me guardei para ele, era virgem e fechadinha como um túmulo."

Como livrar-se de uma miúda indesejável: Dexter e a sua consciência social sem limites

Como eu sou um gajo porreiro e com uma consciência social extraordinária, não resisto em partilhar com os meus leitores - neste caso em concreto com os meus leitores masculinos - algumas técnicas para que uma tipa indesejável vos largue da mão. Porém, temos de reconhecer que a maior parte das vezes, senão mesmo todas, essa situação é criada exactamente pelos homens, fruto do excesso de álcool numa saída à noite, ou de tentativas evitáveis de elevar o ego. Um gajo acaba por envolver-se com uma tipa que não lhe diz nada, e depois para se desembaraçar dela é um cabo dos trabalhos. Meus caros, eu ajudo-vos:

- Quando saírem à noite, criem uma personagem alternativa. É um pouco esquizóide, mas acaba por ser giro. Por exemplo, antes de sair de casa, metam na cabeça que se chamam Pedro Magalhães e estão a estudar engenharia química. Dêem um número de telemóvel errado e verão que ninguém vos vai chatear no dia seguinte com mensagens. Nem vão encontrar-vos no Facebook, evidentemente. Para pessoal que domina o inglês, sempre podem fingir que são estrangeiros: facilita o engate e como são "estrangeiros", mais cedo ou mais tarde voltam para o país de origem e nunca mais ouvem falar de vocês.

- O truque de magia, também conhecido como a fuga cobarde. Truque de magia porquê? Porque agora estou aqui, mas daqui a um minuto já não. Desapareçam do raio de acção da tipa, não respondam a mensagens, não aceitem o pedido de amizade do Facebook. Evitem-na. Poderão ter problemas se ela for persistente ou psicótica, mas acabarão por vencer pelo cansaço. E é aqui que se faz a ponte para o próximo item, quiçá o mais importante.

- O desinteresse gradual. É o remédio santo para quando não se acautelaram devidamente (quando não utilizaram as dicas acima mencionadas) e acabam por envolver-se. Mesmo que não tenham uma relação, ela vai pensar que existe uma relação e age como tal. Para que não sejam umas bestas - porque se calhar a rapariga até é boa miúda - e partam um coração feminino, pratiquem o desinteresse gradual: não sejam românticos, espacem os tempos de resposta às mensagens, não devolvam a chamada nas duas horas seguintes, quando ela vos convidar para irem a algum sítio, digam que já combinaram com um amigo jogar Starcraft, e por aí em diante. Ela vai acabar por fartar-se e corta convosco por iniciativa própria. Matam-se dois coelhos de uma cajadada: não se sentem mal por lhe terem partido o coração (e evitam subsequentes perseguições à stalker) e vêem-se livres dela.

Qual pesadelo em Elm Street...

Hoje tive um pesadelo tenebroso, que me deixou aterrorizado e cheio de suores frios.

Sonhei que tinha ido ao Estádio da Luz, e quando já estava preparado para entrar no Estádio, reparei que me tinha esquecido do Red Pass em casa. Foi o pânico total.

Que susto.